Manifestação contra o aumento da passagem para R$ 3,49

Após os empresários do transporte coletivo de Porto Alegre pedirem um aumento de 18,3% na tarifa de ônibus, o Bloco de Luta pelo Transporte Público voltou às ruas na quinta-feira (5). Centenas de pessoas — 3 mil segundo a organização e 1 mil segundo a EPTC — marcharam pelo centro da capital gaúcha, em uma manifestação que lembrou o início dos protestos que marcaram 2013. Com o aumento sugerido, a passagem do transporte público chegaria a R$ 3,49, o que representa praticamente R$ 7 em passagens de ida e volta.

O ato começou em frente ao Paço Municipal, onde um grupo do Bloco de Luta batucou e cantou, misturando carnaval e protesto na música “Pula roleta, pula roleta, pula roleta pula! Todo o ano é a mesma coisa, no verão eu sou roubado”, enquanto segurava uma faixa com os dizeres “Por uma vida sem roletas, onde tu passe livre”. Máscaras carnavalescas também foram distribuídas aos participantes do protesto.

Apesar do temor de que fosse haver algum conflito com a Brigada Militar — especialmente devido às declarações de que a corporação “coibiria depredações” — tudo ocorreu com tranquilidade na manifestação. “Infelizmente, a polícia pode ser mais um instrumento de repressão, não estamos contando com esse governo. Eles já sinalizaram que vai ser reprimido dentro da legalidade, o que é muito amplo”, criticou Matheus Gomes, militante do PSTU e membro do Bloco de Lutas. Não houve registros de detenções nem conflitos no protesto.

Durante a manifestação houve panfletagem

Durante a manifestação houve panfletagem

O ato começou a crescer por volta das 18h45, quando saiu da frente da Prefeitura e começou a marchar, dando a volta no Mercado Público e seguindo pela Avenida Júlio de Castilhos. Cantando “Mais um aumento não vou pagar, mais um aumento e a cidade vai parar”, os manifestantes repetiram o que era costume durante os protestos de dois anos atrás, entrando nos terminais de ônibus do Camelódromo, para então subir a Dr. Flores.

Era possível ouvir algumas das músicas de 2013, também, como “Vem pra luta vem, contra o aumento”, “Quem não pula quer aumento” e “Se a passagem aumentar, Porto Alegre vai parar”.

Durante a caminhada, houve poucos momentos de tensão. A Brigada Militar manteve distância dos manifestantes, colocando-se em frente às agências bancárias e acompanhando por trás o protesto. No Banco do Brasil na Júlio de Castilhos, algumas pessoas mascaradas se aproximaram dos policiais com tochas, mas apenas passaram pela frente e seguiram. Mesmo pichações, que costumavam ser comuns nos atos contra o reajuste, foram poucas durante o final da tarde de ontem.

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