Aberta colheita do pêssego na Capital

Uma fruta maior, mais saborosa e mais doce. É assim que o consumidor vai encontrar o pêssego durante a 32ª Festa do Pêssego Municipal e 27ª Festa Estadual do Pêssego, evento já tradicional em Porto Alegre.
A propriedade de Arduino Marodin, de 84 anos, no bairro Campo Novo, zona sul da Capital, foi escolhida para a abertura oficial da colheita.

Marodin é considerado o fruticultor mais antigo da zona Sul. A família produz há 70 anos, na área de 3,5 hectares. Foi aqui que ele criou os três filhos. Um deles, Gilmar Marodin, de 59 anos, hoje mantém a produção e o cultivo, já que o pai está com problemas de saúde e não pode mais andar pelos pomares. “Nasci nessa propriedade. A família Marodin é quase centenária na produção de pêssego. A vantagem de ter uma área rural é manter os meios rurais intactos para muitas gerações ainda, pois isso faz o diferencial nas cidades modernas”, explica Marodin. Na abertura da colheita, na tarde desta terça-feira, 4, o prefeito José Fortunati caminhou pelos pomares onde colheu e experimentou a fruta direto da árvore. “O pêssego está delicioso”, garantiu Fortunati.

Também participaram da solenidade secretários, representantes da Secretaria Municipal da Indústria e Comércio (Smic), da Emater, do Governo do Estado, da Farsul, Emater, do setor agrícola e produtores rurais. Fortunati agradeceu a parceria dos produtores, elogiou a dedicação e empenho dos que ainda mantém a tradição de produzir. O prefeito ainda falou sobre a colheita desse ano. “A nossa expectativa, ao contrário do ano passado, quando houve uma quebra muito grande, e tivemos uma produção em torno de 400 toneladas, é podermos ter algo em torno de 800 a 850 toneladas batendo inclusive o ano de 2014”, assegurou Fortunati.
Os pomares de pêssego ocupam 120 hectares da zona rural de Porto Alegre. Entre as variedades plantadas, destacam-se as de polpa branca (premier, pampeano, charme e sulina) e de polpa amarela (maciel, granada, vanguarda e peach). Parte do cultivo segue os princípios da agricultura orgânica e o restante, as normas de plantio convencional.
Para o diretor da Divisão de Fomento Agropecuário da Smic, Antônio Bertaco, se o clima ajudar serão colhidas mais de dez variedades da fruta e a safra deve se estender até janeiro. “Ano passado a frustação foi muito grande, mas desta vez o inverno, que é o grande regulador para medir a quantidade de produção, foi especial para a cultura do pessegueiro e o produtor tá conseguindo recuperar a boa safra”, disse Bertaco.
A abertura da colheita antecede a Festa do Pêssego da Capital, que se inicia no próximo sábado, dia 5, no Centro de Eventos Vereador Ervino Besson, na avenida João Salomoni, 1340, Vila Nova. O local terá dez bancas com frutas, produtos da agroindústria familiar, flores, artesanato, além da praça de alimentação. A festa acontecerá nos finais de semana de novembro (5 e 6, 12 e 13, 15, 19 e 20) das 9h às 20 horas.
Festa do Pêssego- A primeira Festa do Pêssego de Porto Alegre foi realizada no ano de 1984 por iniciativa de fruticultores interessados em ampliar o mercado consumidor e promover a produção agrícola da Capital. Em 2016, o local terá dez bancas com frutas, produtos da agroindústria familiar, flores, artesanato, além da praça de alimentação e contará também atrações artísticas e culturais.
Vendas no Centro Histórico – Os consumidores também podem comprar pêssegos a preços acessíveis na feira que funciona na praça Parobé, próximo ao Largo Glênio Peres. As dez bancas funcionam de segunda a sexta-feira. Algumas não fecham à noite. A feira também oferece morangos, flores secas, bromélias e orquídeas produzidas na zona rural de Porto Alegre.
Zona rural – No final de 2015, o prefeito José Fortunati sancionou a lei que institui a zona rural em Porto Alegre e cria o Sistema de Gestão da Política de Desenvolvimento Rural. Também assinou o Pacto de Milão pela Política Alimentar Urbana em solenidade que ocorreu na Granja Lia, na Estrada São Caetano, no bairro Lami.
A volta da demarcação da zona rural, extinta pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de 1999, era uma reivindicação dos produtores da Capital que enfrentavam dificuldades para licenciar algumas atividades e conseguir linhas de crédito especiais para atividades primárias.
O Executivo elaborou um projeto de lei aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal. A Lei Complementar 775/15 denomina zona rural uma área de 4,1 mil hectares localizada no Sul e Extremo Sul de Porto Alegre, que equivale a 8,28% do território da cidade.
Essa alteração tem a finalidade de garantir a sobrevivência de pequenos e médios proprietários agrícolas, a preservação da fauna e da flora, a sustentabilidade ambiental, as tradições históricas, culturais e econômicas da região, além de promover o turismo ecológico. A zona rural possibilitará ainda atração de investimentos federais por meio de projetos do município que visem à produção de alimentos saudáveis a preços acessíveis.
Sobre a Carta de Milão - Porto Alegre aderiu ao Pacto Mundial pela Política Alimentar Urbana, conhecido como Carta de Milão. O Pacto pela Política Alimentar Urbana é um movimento mundial liderado pela Prefeitura de Milão, na Itália, que busca estimular a produção de alimentos nas proximidades dos grandes centros urbanos com base nos princípios da sustentabilidade e da justiça social.

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